Eu sou o sorriso que às tardes nos parques
Brotou em teus lábios e hoje não vês
Sou a textura e a seda da pele macia
Que sem que te desses conta perderas um dia
Sou o motivo expresso dos olhos brilhantes
Da moça moça bonita ao ver teu semblante
Sou eu, quem te abraçou nas danças e noitadas
Nas fugazes e eternas paixões desvairadas
Sou a luz acesa do quarto que te velou a embriaguez
A energia que te erguia em tua primeira vez
Sou o olhar menos calmo que tu tiveras
Acompanhei-te por algumas primaveras
Hoje sou a brisa que toca teus cabelos alvos
Bem no topo da cabeça trazes um espaço calvo
O brilho do teu olho não traz mais a meninice
De quem um dia bateu no peito, soltou a lágrima e disse:
"Eu sou coragem, eu sou luz!
Tenho força, a natureza me conduz!
Trago no peito uma dor antepassada
Debruçado a uma luta não terminada
De quem não perde por esperar a rosa
Que está para sair desses versos em prosa."
Acompanhei-te durante a tenra idade
Até que te bastasse de tanta mocidade
E então foi tempo de acompanhar outros
De quem os olhos suplicavam serem moços.
Se levo de ti um pouco da criança
Deixo outro pouco que é minha esperança
De aprender com os erros de vidas inglórias
Pois essa é minha sina: não guardar memórias.
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